Há mais de 50 anos, a indústria cinematográfica conheceu uma produção que revolucionaria o cinema e se tornaria referência para muitos filmes do gênero: “O Poderoso Chefão”. Lançado em 1972, o longa de Francis Ford Coppola chamou atenção não apenas pelo roteiro indescritível, mas também pelo elenco de peso, que contou com a inclusão de Al Pacino. No entanto, houve situações que quase resultaram na saída desse ator tão querido em Hollywood.
Pacino foi escolhido por Coppola após o diretor assisti-lo em peças teatrais. Antes de estrelar “O Poderoso Chefão”, ele havia participado de apenas dois longas-metragens: “Uma Garota Avançada” (1969) e “Os Viciados” (1971). Inicialmente, o ator hesitou em aceitar o papel de Michael Corleone, mas acabou entrando na produção graças às insistências do cineasta.
Para contextualizar, “O Poderoso Chefão” conta a história da família Corleone, que luta para consolidar sua supremacia nos Estados Unidos na década de 1940. O patriarca, Don Vito Corleone (Marlon Brando), transfere o controle do império familiar para o filho Michael (Pacino), que, após um atentado contra o pai, decide buscar vingança. O filme acompanha a transformação de Michael, que assume o papel de líder da família e luta para manter seu poder.

Embora Al Pacino tenha interpretado Michael Corleone com maestria – chegando a ser indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, por pouco ele não deixou o projeto. Nos primeiros dias de filmagens, os executivos da Paramount duvidaram de seu potencial e questionaram se ele era a escolha certa para o papel. Diante disso, Pacino temeu ser demitido.
“Correu o boato no set de que eu seria demitido do filme”, escreveu o ator em seu livro de memórias, “Sonny Boy” (via Independent). “Dava para sentir essa perda de ritmo durante as filmagens. Havia um desconforto entre as pessoas, até mesmo na equipe, quando eu estava trabalhando. Eu tinha muita consciência disso”, acrescentou.
O próprio Coppola também esteve no centro das especulações de demissão: “Corria o boato de que eu seria demitido e, provavelmente, o diretor também. Não que Francis não estivesse fazendo um bom trabalho — eu também não estava. Mas ele foi o responsável por eu permanecer no filme.”
A cena que salvou Al Pacino da demissão
Em “O Poderoso Chefão”, há uma cena em que Michael Corleone mata dois inimigos, marcando sua transição de civil comum a criminoso plenamente envolvido nos negócios da família. Quando essa cena foi apresentada aos executivos do estúdio, eles ficaram surpresos com o talento do ator e decidiram mantê-lo no elenco.
“Francis mostrou a cena do restaurante para o estúdio, e, quando eles viram, perceberam algo. Por causa daquela cena, fui mantido no filme. Então, não fui demitido de O Poderoso Chefão”, relatou Pacino.
Veja a cena abaixo:
Mesmo antes da escolha oficial, Coppola já acreditava no potencial do ator para dar vida a Michael Corleone. Em entrevista ao American Film Institute (AFI), comentou: “Escolhi Al Pacino para interpretar Michael por conta da minha experiência pessoal de conhecê-lo e passar algum tempo com ele. Quando lia o livro, após aquele encontro, toda vez que chegava a uma cena com Michael Corleone, especialmente as cenas na Sicília, eu só conseguia imaginar o rosto dele.”
Al Pacino não participou apenas do filme de 1972, mas também de toda a trilogia. Ele sempre ressalta que a produção lhe trouxe grande reconhecimento e é responsável por seu sucesso duradouro. Sobre os elogios que ainda recebe por sua performance, o ator demonstra gratidão:
“Estou profundamente honrado por isso […] É uma obra em que tive a sorte de estar. Mas levou-me uma vida para aceitá-lo e seguir em frente. Não é como ter interpretado o Super-Homem”, disse ele em entrevista ao Globo.
De fato, Michael Corleone é um dos personagens mais marcantes da história do cinema, e nenhum outro ator poderia interpretá-lo tão perfeitamente quanto Al Pacino.
“O Poderoso Chefão” está disponível na Netflix.
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