Todo ator tem aquele papel que transforma sua carreira: no cinema, na televisão… e no teatro não é diferente. Existem personagens que, quando chegam às mãos certas, elevam artistas ao status de lendas, referências e até mitos da cena, eternizando seus legados.
Muitos desses papéis nascem em clássicos icônicos; outros, em grandes musicais ou em peças originais. O que todos têm em comum é a capacidade de revelar um artista em seu auge ou impulsioná-lo a um novo patamar.
Nesta matéria, apresentamos seis personagens que redefiniram trajetórias e marcaram para sempre os nomes de seus intérpretes na história do teatro.
Ian McKellen
Ian McKellen no filme “Richard III” (1995). Foto: Reprodução.
Antes de se tornar um ícone do cinema, Ian McKellen fez história nos palcos. Suas primeiras aparições como ator ocorreram no West End, em Londres. Em 1981, conquistou o Tony de Melhor Ator por sua performance em “Amadeus”. Mas foi nos anos 1990 que um papel mudaria para sempre sua carreira: Ricardo III.
Na peça de Shakespeare, McKellen interpretou o personagem-título e protagonizou um espetáculo que se tornou sucesso mundial. A atuação lhe rendeu o prêmio SWET de Melhor Ator. Ele também estrelou, coescreveu e recebeu aclamação pelo filme homônimo lançado em 1995.
Seu Ricardo é considerado uma das maiores performances teatrais de todos os tempos, inspiração para inúmeros jovens atores.
Meryl Streep
Meryl Streep atuando em “A Gaivota”. Foto: Reprodução.
Meryl Streep é uma das maiores estrelas de Hollywood, mas também brilha, ocasionalmente, nos grandes palcos. Em 2001, a atriz vencedora de três Oscars integrou a montagem de “A Gaivota“, clássico do dramaturgo russo Anton Tchekhov, interpretando Nina, uma das personagens centrais da obra.
O espetáculo chamou atenção pelo elenco de peso, que incluía nomes como Natalie Portman (Cisne Negro), Philip Seymour Hoffman (Capote) e Kevin Kline (A Escolha de Sofia).
Judi Dench
Judi Dench para “Romeu e Julieta”. Foto: Reprodução.
Com mais de 65 anos de carreira, Judi Dench não apenas coleciona papéis marcantes nas telonas como também é uma dama dos palcos. Ela interpretou Ofélia em “Hamlet”, no Royal Court Theatre, em Liverpool, mas foi sua performance como Julieta, na produção de “Romeu e Julieta” em 1960, que consolidou sua trajetória teatral.
Aos 23 anos, Dench já despontava como uma das grandes promessas do teatro britânico. Anos depois, brilhou novamente ao interpretar Cleópatra na peça “Antônio e Cleópatra” (1987), papel que lhe rendeu o prêmio Olivier – o mais prestigioso do teatro britânico – de Atriz do Ano.
Mandy Patinkin
Mandy Patinkin como Che Guevara em “Evita”. Foto: Reprodução.
Mandy Patinkin é amplamente conhecido por sua carreira na televisão – especialmente por “Homeland” (2011–2020) –, mas muitos desconhecem que ele é também uma grande estrela do teatro. Seu papel em “Evita” (1979) marcou definitivamente sua carreira.
Na produção original da Broadway, Patinkin deu vida a Che Guevara, o narrador quase onisciente do musical. Sua poderosa voz encantou o público e lhe garantiu o Tony de Melhor Ator Coadjuvante. O espetáculo foi um enorme sucesso, somando mais de 1.600 apresentações.
Fernanda Montenegro
Fernanda Montenegro em monólogo “Viver Sem Tempos Mortos”. Foto: Reprodução.
Engana-se quem pensa que não haveria um nome brasileiro nesta lista. Aqui, o destaque vai para Fernanda Montenegro, que em 2009 chamou atenção ao protagonizar o monólogo “Viver Sem Tempos Mortos”, adaptado a partir das correspondências da escritora francesa Simone de Beauvoir. Sua performance foi tão marcante que a atriz voltou a encenar a obra anos depois.
Embora esse papel tenha tido grande repercussão, Montenegro constrói sua trajetória nos palcos desde os anos 1950, sendo uma das maiores referências do teatro brasileiro.
Lin-Manuel Miranda
Lin-Manuel Miranda como Alexander Hamilton em “Hamilton”. Foto: Reprodução.
Lin-Manuel Miranda é um dos grandes nomes do teatro contemporâneo. Ator, compositor e dramaturgo, conquistou destaque nos palcos, e “Hamilton” tornou-se o trabalho mais impactante de sua carreira.
Interpretando o personagem-título, Miranda também produziu o musical. A ideia surgiu após ele ler a biografia de Alexander Hamilton. A partir daí, desenvolveu a narrativa e os números musicais que, mais tarde, encantariam toda a Broadway. O espetáculo foi um fenômeno, conquistando oito prêmios Drama Desk e doze Tonys. Hoje, Miranda é quase um EGOT – faltando apenas o Oscar para levá-lo ao status.
Essas interpretações, cada um a sua maneira, redefiniram trajetórias e ampliaram os limites da arte teatral. Hoje, são lembradas como exemplos de excelência e servem de inspiração para os novos amantes da arte cênica.
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