Imagine que você é um cineasta e está planejando uma nova produção. Roteiro, locações, elenco… tudo precisa estar bem definido antes que a obra saia do papel. No entanto, muitas situações podem surgir e, se não houver um plano B, tudo pode ir por água abaixo; e foi exatamente isso que quase aconteceu com Francis Ford Coppola durante a produção do clássico “Apocalypse Now“.
Lançado em 1979, o filme se passa durante a Guerra do Vietnã e acompanha o capitão Willard, que recebe a missão de localizar e eliminar um antigo comandante das Forças Especiais. Esse comandante, aparentemente enlouquecido, se refugiou nas selvas do Camboja, onde lidera um exército de fanáticos. Porém, a viagem de Willard em busca desse homem se torna cada vez mais perigosa à medida que ele se aprofunda no território hostil.
Esse filme de Coppola se destacou tanto pela história quanto pelo elenco de peso, reunindo nomes como Martin Sheen, Marlon Brando, Laurence Fishburne, Dennis Hopper, Harrison Ford, Scott Glenn, Glenn Walken, Sam Bottoms, Bill Graham, Frederic Forrest, entre outros.
Assim como o enredo carrega uma energia caótica, os bastidores da produção também guardam histórias inusitadas. Abaixo, você confere alguns momentos que quase impediram o filme de chegar às telonas. Vamos lá?
De semanas a meses

Inicialmente, as gravações de “Apocalypse Now” estavam previstas para durar seis meses. No entanto, esse prazo acabou se estendendo para 16 meses — ou seja, um ano e quatro meses. Os atrasos se acumulavam à medida que a produção ultrapassava o cronograma e o elenco ficava sobrecarregado. Em várias ocasiões, as filmagens foram pausadas por conta das condições climáticas nas Filipinas. Inclusive, elenco e equipe foram surpreendidos pela passagem de um tufão no país asiático.
Problemas com o elenco

Antes de iniciar as filmagens, Coppola escalou o ator Harvey Keitel (Pulp Fiction) para interpretar o capitão Willard. No entanto, após uma semana de gravações, o diretor concluiu que a atuação de Keitel estava longe do que ele imaginava e optou por substituí-lo por Martin Sheen. Curiosamente, Sheen enfrentava problemas com alcoolismo na época e, em certos momentos, ficava incoerente no set. Um dublê de corpo precisou ser usado em várias cenas para compensar sua condição. A famosa cena do soco no espelho, por exemplo, foi filmada enquanto o ator estava embriagado.
Outro desafio veio com Marlon Brando, que se recusou a ajustar sua agenda ao cronograma atrasado. Quando finalmente apareceu para filmar, estava acima do peso e completamente despreparado para o papel. Imagine o caos no set nesse momento?
Ataque cardíaco no set

Em março de 1977, Martin Sheen sofreu um ataque cardíaco durante as gravações. Ele precisou ser internado em um hospital na capital filipina e ficou afastado por seis semanas. Na época, Coppola optou por manter o caso em sigilo para evitar o cancelamento do filme e problemas com os investidores.
Destruição do set

A passagem do tufão pelas Filipinas causou a destruição do set de filmagens e interrompeu a produção por várias semanas. Ainda assim, Coppola não se deixou abalar e decidiu reconstruir tudo do zero. A produção foi retomada em partes, e, à medida que isso acontecia, o cronograma se estendia ainda mais. Esse episódio ajudou a consolidar “Apocalypse Now” como uma das produções mais caóticas da história de Hollywood.
Colapso mental de Coppola

Produzir “Apocalypse Now” foi uma experiência extremamente estressante, principalmente para Coppola. O cineasta investiu US$ 30 milhões do próprio bolso (equivalente a mais de R$ 160 milhões atualmente) e chegou a hipotecar sua casa para manter o projeto de pé. A pressão foi tão intensa que ele enfrentou um colapso mental e chegou a considerar tirar a própria vida.
Em meio ao caos, uma revolução sonora

Apesar de tantas dificuldades, um elemento essencial contribuiu para que “Apocalypse Now” conquistasse o público: o som. O longa foi um dos primeiros a popularizar o sistema de som multicanal nos cinemas, utilizando tecnologia de som surround — mais especificamente o Dolby Stereo 70mm —, criando uma experiência sonora imersiva. Não à toa, o filme venceu o Oscar de Melhor Som.
“Apocalypse Now“, além de ser um clássico do cinema, traz uma lição importante para qualquer cineasta: ter um plano B é fundamental para que um projeto não fique engavetado. Se Coppola tivesse outra forma de enfrentar os episódios caóticos, talvez tivesse poupado muitas dores de cabeça.
Por fim, “Apocalypse Now” está disponível para compra e aluguel no YouTube.
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