Você já esteve em um palco, fez sua apresentação, recebeu aplausos e ovações da plateia, e mesmo assim sentiu que não foi bom o suficiente? É como se uma voz dissesse em sua mente: “Eu não fui bem, não mereço estar aqui”, e, a partir disso, surgisse um monte de perguntas que causam muita ansiedade. Se você vive (ou já viveu) essa situação, saiba que é uma vítima da síndrome do impostor — e eu vou te explicar o que é isso.
A síndrome do impostor é um transtorno psicológico que afeta pessoas com grandes realizações profissionais ou acadêmicas, mas que não conseguem admitir ou aceitar o próprio sucesso. Embora não seja uma doença mental diagnosticável, pode levar à autossabotagem, insatisfação, problemas de ansiedade e até depressão.
Quando se é ator ou atriz, quem sofre dessa síndrome sente-se “enganando” o público, os colegas e, principalmente, a si mesmo. É como se você confiasse no seu talento e, ao mesmo tempo, duvidasse dele. Não pense que apenas atores desconhecidos passam por isso; os mais renomados também lidam com essa realidade.
Apesar dessa situação, há luz nos bastidores. Existem histórias que mostram que é possível driblar essa síndrome e voltar a confiar em si mesmo. A seguir, você conhecerá relatos de profissionais que enfrentaram a síndrome do impostor e descobrirá como iniciar o processo de superação.
Atores que sofreram com a síndrome do impostor
Patti LuPone

Patti LuPone é uma das atrizes mais ativas em Hollywood. Apaixonou-se pela arte de atuar ainda na infância e, à medida que crescia, sempre acreditou no próprio talento artístico. É bastante conhecida no cinema e na televisão, tendo participado de produções como “Frasier” (1993–1998), “30 Rock” (2009–2012), “Beau Tem Medo” (2023), entre outros. LuPone também é uma grande atriz de teatro, tendo o musical “Gypsy” como um de seus maiores sucessos nos palcos.
Apesar de um currículo extenso e de ser considerada uma das maiores atrizes de sua geração, ela enfrentou problemas relacionados à síndrome do impostor. Em entrevista ao Washington Post, contou que lidava com inseguranças internas que quase a fizeram desistir da carreira.
“A carreira foi dolorosa. Eu sabia que tinha talento desde os quatro anos de idade. Sim, quatro. Meus amigos não acreditam que isso aconteceu antes. Eu me apaixonei pelo público. Sabia que era um presente. Nada me impediu, mas havia obstáculos gigantescos no caminho.”
E completou: “O maior obstáculo? Eu! Eu era a minha própria inimiga.”
Mesmo tentando disfarçar, muitos colegas percebiam sua fragilidade momentos antes de ela subir ao palco. Para eles, o melhor era deixá-la um pouco sozinha e esperar que a talentosa LuPone assumisse o controle poucos minutos depois. Hoje, ela se sente mais segura em seus projetos.
Lola Tung

A atriz norte-americana Lola Tung ficou conhecida recentemente ao interpretar Belly na série “O Verão Que Mudou a Minha Vida“. Em 2024, estreou na Broadway com uma montagem da peça “Hadestown” e, mesmo tendo formação em artes cênicas, precisou lidar com inseguranças.
“Sinto que não tenho tanto medo do palco quanto da síndrome do impostor”, disse Lola à People. “É mais isso — ficar pensando: ‘Será que eu mereço estar aqui? Estou à altura do talento que já está aqui e das pessoas incríveis que interpretaram esse papel antes de mim?‘”
Ainda jovem e com pouco tempo de carreira, ela encontrou uma forma de lidar com esse sentimento: subir ao palco e simplesmente fazer sua apresentação. “Na verdade, é meio reconfortante subir naquele palco, deixar algumas preocupações para trás, focar no que estamos fazendo, viver o momento com todos no palco e interpretar Road To Hell. O primeiro número é incrível”, completou.
Nicholas Galitzine

Antes de chegar às telas, Nicholas Galitzine atuou em peças teatrais e revelou que também sofreu com a síndrome do impostor. No entanto, suas dúvidas foram amenizadas ao trabalhar com atores renomados. Ele afirmou que Anne Hathaway e Julianne Moore foram fundamentais nesse processo.
“Senti uma imensa síndrome do impostor, principalmente nos primeiros anos da minha carreira — e é tão natural, como atores, que muitas vezes buscamos validação em fontes externas. Pode ser um trabalho muito inseguro, muito frágil. Então, é preciso se lembrar constantemente de que estamos no caminho certo. E não faz mal estar trabalhando com duas vencedoras do Oscar. É um bom sinal de que você está fazendo algo certo”, disse no podcast “Reign with Josh Smith” (via Bang Premier).
Andrew Garfield

Andrew Garfield tem uma carreira sólida em Hollywood, com papéis marcantes em “A Rede Social” (2010), ‘O Espetacular Homem-Aranha” (2012) e “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” (2021). Também atua nos palcos e já foi indicado ao prêmio Tony, o mais importante do teatro.
Apesar do talento, Andrew também lida com a síndrome do impostor. Em uma entrevista, comparou esse sentimento a um monstro marinho: “Literalmente, toda vez que vou trabalhar, essa parte de mim emerge lentamente das águas profundas do subconsciente como um monstro marinho. Está pronta para me lembrar de como eu deveria desistir, de como não tenho nada a oferecer, de como estou vazio por dentro“, disse (via Backstage).
“É tipo: ‘Como você ousa tentar? Você vai se envergonhar. Eles vão descobrir. Você nunca mais vai trabalhar!’ Chega a um ponto extremo. Acontece. Mas [essa é] a parte mais importante: saber que vou passar por isso”, concluiu.
Como superar a síndrome do impostor?
Como vimos, muitos atores identificam os sinais da síndrome do impostor e buscam soluções para que isso não prejudique seu trabalho. Se você, ator ou atriz, sentir-se insuficiente, fizer comparações constantes ou críticas exageradas ao seu desempenho, isso pode ser a síndrome agindo — e há formas de lidar com ela. Veja abaixo:
1 – Reconheça o sentimento
O primeiro passo é identificar que você está sofrendo com isso. Reconhecer os sentimentos que impedem sua autoconfiança é o início do processo de superação.
2 – Crie um diário de conquistas
Depois de identificar o problema, comece a registrar suas vitórias: elogios recebidos, aplausos do público, bons feedbacks de colegas ou diretores, conquistas em ensaios, etc. Releia esse diário sempre que sentir insegurança, pois ele é a prova concreta do seu talento.
3 – Desafie os pensamentos negativos
Quando surgirem dúvidas sobre sua capacidade, questione-as. Pergunte-se, por exemplo: “Qual é a evidência de que sou inadequado para isso?” Essa prática ajuda a substituir pensamentos distorcidos por uma visão mais realista de si mesmo.
4 – Busque ajuda profissional
Como a síndrome pode levar a quadros de ansiedade e depressão, é fundamental buscar apoio psicológico. Um terapeuta pode oferecer estratégias e acolhimento essenciais para lidar com esse tipo de autossabotagem.
5 – Celebre suas conquistas
Não deixe passar despercebido o que você já conquistou. Celebre elogios, apresentações concluídas, reconhecimentos em prêmios ou críticas positivas. Isso reforça sua autoconfiança e ajuda a combater inseguranças internas.
Se você, ator ou atriz, sofre com a síndrome do impostor, saiba que não está sozinho(a). Os exemplos acima nos mostram que, ao reconhecermos nossa capacidade, os pensamentos negativos perdem força e conseguimos conquistar o que desejamos.
Se estamos nos palcos, na TV ou no cinema, esse espaço é nosso e devemos celebrá-lo. Reitero mais uma vez: você não está só.
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