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Muito além da atuação: O papel que mudou a vida de Angelina Jolie

Angelina Jolie em Maria. Foto: Reprodução.

Ser ator não é apenas interpretar um papel e pronto. É também uma atividade que nos desafia a superar nossos medos e limitações. Uma das definições de medo no dicionário é: “temor, ansiedade irracional ou fundamentada; receio”. E quando a atuação te coloca justamente para enfrentá-lo? Você se vê como em uma guerra interna, escolhendo entre enfrentar ou deixar de lado. Muitos atores já devem ter passado por isso e Angelina Jolie está entre eles. Quer saber o porquê? Vem cá que eu te conto.

Em 2024, Jolie retornou às telonas com “Maria“, filme de Pablo Larraín (Jackie), que conta a história de Maria Callas, a cantora de ópera que teve grande destaque entre os anos 1950 e 1960. Conhecida como “La Divina”, Callas chamou a atenção com suas performances líricas, consolidando-se como uma das maiores vozes soprano da história.

Interpretar Maria Callas foi um desafio para Jolie, que nunca havia cantado publicamente. Segundo a atriz, foram necessários cerca de sete meses de aulas de ópera para conseguir transmitir a essência de Callas nas telas. “[…] eu estava terrivelmente nervosa”, disse Jolie sobre o processo de aprender a cantar ópera (via Variety). “Passei quase sete meses treinando, porque, quando você trabalha com Pablo, não dá para fazer nada pela metade. Ele exige, da maneira mais maravilhosa, que você realmente se esforce, aprenda e treine”, completou.

Angelina Jolie começou praticamente do zero quando decidiu se dedicar à ópera. Ela teve aulas com o treinador vocal Eric Vetro, que logo viu potencial na atriz assim que terminou a primeira aula: “Eu pensei: ‘É isso aí, ela consegue. Ela é a pessoa para interpretar esse papel.’ E eu sou alguém que amava Maria Callas — de verdade. Ela era uma das minhas cantoras de ópera favoritas, então fiquei emocionado ao ver que ela [Jolie] conseguiu fazer isso”, disse Vetro à People.

Angelina Jolie e o canto: um medo a ser superado

Angelina Jolie em Maria. Foto: Reprodução.
Angelina Jolie em Maria. Foto: Reprodução.

Como mencionado anteriormente, Angelina Jolie nunca havia cantado antes — nem mesmo em karaokês, por exemplo. E existe um motivo por trás disso: ela tinha medo de cantar e não se sentia completamente segura para interpretar Callas. Inicialmente, sentiu-se dominada pela ansiedade, chegando a duvidar de si mesma.

“Meu medo era decepcioná-los. Se houver alguma resposta ao meu trabalho, ficarei muito grata, mas… eu realmente me importei com ela, então não queria fazer um desserviço a essa mulher”, contou Jolie à Variety.

No primeiro encontro com Vetro, a atriz estava extremamente nervosa, hesitando por medo de errar. Isso nos faz refletir: por que temos tanto medo? Afinal, errar é humano e há sempre consertos. Mas, naquele exato momento, em seu primeiro dia de treino, a confiança que vemos em Jolie não estava lá.

“Ela estava muito — devo dizer — […] ‘apavorada’ seria a palavra. E quando tentei fazê-la cantar, ela começou a chorar”, contou Vetro em entrevista ao Los Angeles Times.

Angelina Jolie em Maria. Foto: Reprodução.
Angelina Jolie em Maria. Foto: Reprodução.

Após meses de treinamento vocal, aulas de canto, estudo da língua italiana, e técnicas de postura, respiração e projeção vocal, ela finalmente conseguiu enxergar dentro de si uma cantora. Seu trabalho em “Maria” não foi apenas mais um em sua filmografia — foi uma obra que, além de trazê-la de volta às telonas, moldou sua vida por completo, libertando-a de seus próprios medos.

“Acho que não percebemos o quanto a nossa voz, o quanto nosso corpo carrega. Tudo o que passamos na vida, tudo o que tememos, tudo o que sentimos, tudo o que nos magoou, tudo o que carregamos — quer saibamos ou não — afeta nossa sonoridade”, disse Jolie à Classic FM.

“Ser forçada a superar isso e fazer um som completo novamente foi quase como me sacudir de anos de espera e ter que confrontar e liberar muita coisa. Então foi realmente um presente. É muito libertador. É por isso que digo que todos devem fazer isso; eu incentivo que façam”, completou.

Agora, pare neste ponto da matéria e veja Jolie cantando “Vissi d’arte Maria’, que é uma das melhores cenas do longa:

Histórias como a de Angelina Jolie vêm para mostrar que atuação não é apenas uma forma de expressão artística, mas também um meio de enfrentarmos nossos medos, colocando nossos personagens como incentivadores. Nem todos os papéis que chegam até nós são obra do acaso. Muitas vezes, vêm porque a vida quer abrir nossos olhos e nos fazer confiar em nossos próprios potenciais, derrubando quaisquer barreiras.

Por fim, você pode conferir a performance de Angelina Jolie em “Maria“, disponível no Prime Video.

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Rafael Cruz

Jornalista e apaixonado por cinema, música e séries. Bora assistir um belo drama ou um terror?

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