Nesta quinta-feira (22), conheceremos os indicados ao Oscar, que chegará à sua 98ª edição. E, assim como todos os anos, não será novidade se vermos alguns esnobados – sejam filmes ou alguns rostos que se fizeram presentes em algum momento da campanha. E, claro, esses acontecimentos geram furor entre os internautas.
Enquanto restam algumas horas para finalmente sabermos os indicados à premiação, resgato um acontecimento que envolveu a cerimônia. Em 2023, muitos esperavam a nomeação de astros como Michelle Yeoh, Cate Blanchett, Brendan Fraser e afins. Porém, dois nomes que eram notórios na temporada de premiações foram deixados para trás: Viola Davis e Danielle Deadwyler. Esta última, inclusive, era bastante esperada, visto que era uma “novidade”, e sua atuação foi elogiada tanto pela crítica quanto pelo público.

Naquele período, Deadwyler concorria em diversas premiações por seu trabalho em “Till”, no qual interpretou Mamie Till, uma ativista que lutou por justiça ao enfrentar o assassinato brutal de seu filho, que tinha apenas 14 anos. A atuação da atriz cativou os espectadores e, melhor ainda, ela levou o prêmio de Melhor Performance de Protagonista no Gotham Awards, que reconhece produções independentes. Mas o que motivou sua ausência no Oscar de 2023?
Quando as indicadas à categoria de Melhor Atriz foram anunciadas, um nome surpreendeu: Andrea Riseborough. Ela concorreu por “To Leslie”, filme que arrecadou apenas US$ 27 mil, valor insuficiente para sustentar uma campanha tradicional de prêmios. A divulgação do longa, então, focou em contatos pessoais e amigos famosos – como Charlize Theron e Gwyneth Paltrow –, que divulgaram o filme nas redes sociais com legendas genéricas e semelhantes entre si.
A indicação de Riseborough levantou debates nas redes, trazendo à tona questionamentos sobre privilégios dentro da Academia. Muitos apontaram desigualdade e a falta de visibilidade de atrizes negras. A polêmica foi tamanha que a organização responsável pelo prêmio abriu uma investigação sobre as regras de lobby, mas, ao final, a indicação não foi retirada.
O que disseram as pessoas sobre a indicação de Andrea Riseborough?

A inclusão de Riseborough no Oscar não gerou debates apenas entre os usuários das redes sociais, como também se tornou tema entre membros da própria indústria cinematográfica. Muitos relembraram o movimento #OscarsSoWhite (Oscar Tão Branco), criado em 2015 para criticar a falta de diversidade racial entre os indicados ao prêmio.
A diretora de “Till”, Chinonye Chukwu, demonstrou descontentamento com a não indicação de seu filme nas redes sociais: “Vivemos em um mundo e trabalhamos em indústrias que são agressivamente comprometidas em defender a branquitude e perpetuar uma misoginia descarada em relação às mulheres negras”, escreveu.
Deadwyler também comentou o ocorrido, declarando que os votantes optaram por não assistir ao filme, que aborda a violência racial. “Estamos falando de pessoas que talvez tenham preferido não ver o filme. Estamos falando de misogynoir [termo em inglês, popularizado por ativistas, que se refere à combinação entre misoginia e racismo que atinge mulheres negras], que acontece de todas as formas, diretas e indiretas. Isso impacta quem somos. A questão é sobre as pessoas que vivem na branquitude e a avaliação que essas pessoas fazem dos espaços nos quais são privilegiadas”, afirmou.
Andrea Riseborough também se pronunciou sobre o caso, reconhecendo a desigualdade existente na indústria. “Assim que tiver tempo para processar tudo, posso entender um pouco melhor”, declarou ao The Hollywood Reporter.“A campanha de premiação é tão acerbamente exclusiva como sempre foi. Não apenas faz sentido que essa conversa seja iniciada, como ela é necessária. A indústria cinematográfica é terrivelmente desigual em termos de oportunidades”, pontuou.
Na edição de 2023, a vencedora do Oscar de Melhor Atriz foi Michelle Yeoh, que concorria pelo filme “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo”. Ela se tornou a primeira atriz asiática a vencer na categoria.
À medida que o Oscar se renova ano após ano, também se repetem discussões sobre escolhas, critérios e visibilidade. O episódio de 2023 se soma a uma longa história de surpresas e questionamentos que acompanham a premiação. Com mais uma edição se aproximando, o público observa, atento, se o roteiro seguirá o esperado ou se novas narrativas, enfim, ganharão espaço.
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