Premiações. Entre tantos nomes – sejam veteranos ou novatos em Hollywood – um se destaca: Rose Byrne. Em atividade na atuação desde os anos 90, Byrne atrai olhares neste momento ao entrar na corrida da atual temporada de prêmios. Mas com que trabalho? Explico a seguir.
Australiana, Rose Byrne ganhou destaque internacional ao estrelar “A Deusa de 1967” (2000), papel que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza e o Urso de Prata no Festival de Berlim. Em 2002, participou de “Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones”, interpretando a personagem Dormé. Vieram, então, outros sucessos, como “Maria Antonieta” (2006), “Sobrenatural” e “Missão Madrinha de Casamento”, ambos de 2011. Apesar de ser uma atriz aclamada por suas performances diversificadas, ela nunca concorreu ao Oscar; no entanto, sua primeira indicação parece estar a caminho.
O trabalho mais recente de Byrne, o filme “If I Had Legs I’d Kick You” (Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria, no Brasil), chamou a atenção da crítica e do público, que apontaram sua atuação como um dos grandes destaques do longa. Na trama, ela vive Linda, uma psicóloga à beira do colapso, lidando com uma filha doente, um marido ausente e desafios constantes que a sobrecarregam. O filme retrata os pesadelos e conflitos que cercam a maternidade, mas sem romantizar a dor de uma mãe.
Um dos aspectos mais chamativos do filme é a forma como foi filmado: a câmera se concentra, na maior parte do tempo, na personagem de Rose, enquanto a presença da filha é percebida apenas por meio da voz. A escolha foi proposital por parte da diretora Mary Bronstein – que também atua na produção –, com a intenção de focar exclusivamente na vivência de Linda, permitindo que o espectador compreenda seus conflitos internos de maneira mais intensa.
A jornada de Rose Byrne para viver Linda em “If I Had Legs I’d Kick You”

Assim que aceitou estrelar o longa, Rose Byrne passou por uma preparação intensa, começando pela leitura do livro “Breath”, de James Nestor, que aborda a importância da respiração. Isso porque a personagem utiliza a respiração como uma espécie de ritual para escapar da realidade que enfrenta; portanto, tanto a leitura quanto o trabalho com uma instrutora especializada foram essenciais para a construção da personagem.
Meses antes das filmagens, Rose se reuniu com a diretora Mary Bronstein para analisar minuciosamente cada linha do roteiro. As duas debateram cada parte do texto e realizaram ensaios. “Foi como se estivéssemos nos preparando para uma peça de teatro. Pudemos sentar e conversar por mais de um mês, analisando cada linha de diálogo, cada ponto de exclamação e cada ponto final. E realmente apenas conversamos, fomos muito sinceras e compartilhamos histórias sobre sermos mães”, contou a atriz em entrevista.
A preparação também envolveu conversas com outras mães. Apesar de ter dois filhos, o contato com mulheres de diferentes realidades foi essencial para compreender desafios maternos diversos e incorporá-los à personagem. “Conversamos com mães de crianças com necessidades especiais e isso foi, como pode imaginar, muito intenso e emocionante”, disse Byrne em entrevista à Vogue.
“Essas mulheres compartilhando a história de seus filhos e tudo o que enfrentaram em cada fase da vida… elas foram tão maravilhosas e sinceras comigo, e isso me marcou profundamente e continuará marcando. Em todos os sentidos, este filme mudou minha perspectiva sobre a maternidade de muitas maneiras”, completou.
Basicamente, a preparação de Rose – composta por análises profundas do roteiro para a construção da personagem e de seu contexto – deu liberdade para reações espontâneas durante as filmagens, fundamentadas na técnica Meisner. O método de atuação propõe que o ator se concentre no parceiro de cena, desenvolvendo a capacidade de escutar e reagir de forma autêntica.
As reações e o caos vividos pela personagem transpassam a tela de imediato. Isso se deve, em grande parte, ao uso frequente de planos fechados, com a câmera focada quase integralmente em Linda. Rose Byrne precisou lidar com a câmera muito próxima ao seu rosto e, ainda assim, transmitir as emoções da personagem em diferentes momentos. “Foi chocante no primeiro dia, mas depois ficou tudo bem”, comentou a atriz em entrevista sobre a experiência.
Aclamação positiva

“Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria” estreou no Festival de Cinema de Sundance em janeiro deste ano e, logo depois, foi exibido no Festival de Berlim, onde Byrne conquistou o Urso de Prata de Melhor Atuação Principal. Ao longo do ano, o filme passou por importantes eventos, como os festivais de Telluride e Toronto, acumulando elogios da crítica.
No Rotten Tomatoes, a produção conta com 92% de aprovação da crítica, com base em 174 avaliações até o momento, enquanto a aprovação do público é de 78%. No Metacritic, o longa apresenta ótimas pontuações: 77 entre os críticos e 7,8 entre os usuários.
A atuação de Rose Byrne a levou às principais premiações da temporada. Além do Urso de Prata, ela venceu o LAFCA Award, o NYFCC Award e o TFCA Award, além de concorrer ao Globo de Ouro, ao Critics Choice e ao Independent Spirit Award. Com essas indicações, veículos renomados apostam em sua possível indicação ao Oscar, com grandes chances de vitória.
Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria: Elenco e quando estreia

Além de Rose Byrne, o longa conta com nomes conhecidos de Hollywood. Christian Slater (Mr. Robot), Ivy Wolk (Anora), Ella Beatty (Feud: Capote vs. The Swans), Danielle Macdonald (Bird Box), o cantor ASAP Rocky e o apresentador Conan O’Brien completam o elenco.
“Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria” tem estreia marcada para 1º de janeiro nos cinemas brasileiros.
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