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Ela tinha 13 anos: A verdadeira história de Linda Blair em O Exorcista

A história de Linda Blair em O Exorcista. Foto: Reprodução.

Era 1973, e o mundo presenciava um lançamento que marcaria não só o gênero do terror, mas o cinema como um todo. Estou falando de “O Exorcista”. Bem, é outubro (mês do Halloween) então não tem como deixar de falar das obras de terror que hoje vivem na mente dos cinéfilos. E aqui, não vamos falar apenas do glamour, mas também dos perrengues que essas produções impõem aos profissionais envolvidos.

Dirigido por William Friedkin, “O Exorcista” é baseado na obra homônima de William Peter Blatty e acompanha uma atriz que percebe mudanças estranhas no comportamento de sua filha de 12 anos. Desesperada, ela busca ajuda com um psiquiatra que também é padre. Ele chega à conclusão de que a garota está possuída e solicita o auxílio de um sacerdote experiente. A partir daí, eventos aterrorizantes começam a se desenrolar.

Embora o filme tenha conquistado crítica e público, acumulando mais de 400 milhões de dólares em bilheteria ao redor do mundo, seus bastidores foram tão tensos quanto a trama. Durante as filmagens, ocorreram acidentes, incêndios, e até mortes inesperadas entre membros da equipe e pessoas próximas a eles. Tudo o que envolvia essa produção parecia ter um toque macabro.

A atriz Linda Blair, que interpretou Regan MacNeil — a garota possuída — sentiu-se desafiada com o papel. Até então, ela havia atuado apenas em comerciais e filmes pequenos. “O Exorcista” foi uma chance de ouro para se destacar em Hollywood. No entanto, sua experiência durante e após as gravações foi tudo, menos tranquila.

Lesões no set

Linda Blair em O Exorcista. Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
Foto: Reprodução/Wikimedia Commons.

No filme, vemos Regan se movimentando de forma intensa e perturbadora. Como o CGI ainda não era utilizado, todos os movimentos e acrobacias foram feitos de forma prática — o que afetou diretamente a saúde de Blair.

Em uma das cenas, Regan está amarrada à cama, que se movia mecanicamente. Para realizá-la, a atriz precisou usar uma cinta presa à coluna, mas algo saiu errado. Em entrevista, ela relatou que uma das cordas se soltou, causando uma lesão real.

“Estou chorando, estou gritando, eles acham que estou agindo como uma louca. Acabei fraturando a parte inferior da minha coluna. E não, eles não me mandaram ao médico. O que aconteceu está no filme”, contou.

Em filmes que exigem muito fisicamente dos atores, é comum que ocorram lesões e logo uma melhora. Mas Linda Blair não teve a mesma sorte que outros: o problema evoluiu para escoliose.

“Tive muita dificuldade em conviver com as consequências de O Exorcista. A lesão nas costas foi muito mais séria do que eu imaginava e afetou minha saúde negativamente por um bom tempo”, relatou.

Ameaças e pressão pós-filme

Cena de O Exorcista. Foto: Reprodução/Warner Bros. Pictures.
Foto: Reprodução/Warner Bros. Pictures.

Linda Blair tinha apenas 13 anos quando gravou O Exorcista. E se você acha que as lesões físicas foram os únicos impactos, está enganado. Além de lidar com a pressão da mídia, que a bombardeava com perguntas sobre os conceitos religiosos do filme, ela também passou a ser alvo de ameaças, especialmente por parte de grupos religiosos fanáticos.

Após o sucesso estrondoso do longa, Linda se tornou o rosto do filme e não havia como fugir dos holofotes. Alguns grupos chegaram a acusá-la de “glorificar satanás” e, com isso, começaram a ameaçá-la.

“Muitas pessoas se aproximaram de mim, o que gerou medo em todos ao meu redor. Eu estava bem protegida. A polícia foi contratada para morar na minha casa”, disse em entrevista ao Studio 10, em 2018.

Depois de O Exorcista, ela ainda participou de outras produções, como “O Exorcista II – O Herege” (1977), dirigido por John Boorman, que não obteve o mesmo sucesso. Mesmo tentando se desvincular da imagem de Regan, Linda enfrentou um tipo de estigma profissional. A maioria dos papéis oferecidos exigia que ela interpretasse vítimas — e isso só reforçava o estereótipo de que ela “nasceu para sofrer em cena”.

Apesar disso, Blair segue na ativa como atriz — seu trabalho mais recente foi em “O Exorcista – O Devoto” (2023). Mas, paralelamente à atuação, ela se dedica com paixão ao ativismo animal. Linda fundou a Linda Blair WorldHeart Foundation, uma ONG sem fins lucrativos voltada à reabilitação e adoção de animais resgatados. Em 2005, após o furacão Katrina, viajou até o Mississippi, onde ajudou no resgate de 51 cães abandonados.

Linda Blair, atriz de O Exorcista. Foto: Reprodução.
Linda Blair atualmente. Foto: Reprodução.

Apesar de tudo, Linda Blair entregou uma atuação magistral, e até hoje é lembrada por um papel que nenhuma outra criança de 13 anos ousaria viver com tanta entrega. Embora hoje se dedique ao ativismo, seu trabalho nas telonas permanece eterno; uma referência que continua inspirando novos rostos do terror.

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Rafael Cruz

Jornalista e apaixonado por cinema, música e séries. Bora assistir um belo drama ou um terror?

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