Imagine que você é ator ou atriz e recebe o convite para interpretar um personagem que exige de você tanto mental quanto fisicamente. Um baita desafio, certo? Agora, pense se, em vez de um, fossem treze personagens. Você aceitaria a oferta? Pois foi exatamente isso que aconteceu com ninguém menos que Cate Blanchett.
Em 2015, a atriz australiana estrelou “Manifesto“, filme do cineasta alemão Julian Rosefeldt. Na trama, Blanchett dá vida a 13 personagens, cada um com suas peculiaridades, trejeitos e vozes únicas. Antes disso, a atriz, que já acumula dois Oscars na carreira, havia interpretado de tudo: uma rainha, uma elfa, uma versão de Bob Dylan, uma socialite… Tudo em produções distintas. Mas encarar 13 personas em um único filme foi, de fato, uma carga que poucas pessoas poderiam suportar — e Blanchett foi a escolha perfeita para isso.

Os bastidores de Manifesto guardam detalhes impressionantes. Inicialmente, Blanchett interpretaria apenas quatro personagens, enquanto o diretor pretendia incluir até 24. No fim, chegaram a um consenso: seriam 13. Curiosamente, todas as filmagens aconteceram em apenas 11 dias, o que exigiu uma rotina intensa de gravações, com preparação de maquiagem, figurinos, treinos de sotaques e muita concentração.
Mas, para Cate, isso foi como um prato delicioso. E ela aproveitou cada momento do processo. “A realidade da atuação é que você pode fazer todo o dever de casa do mundo para um papel — mas minha relação com a performance é muito mais circense. Eu tenho que pular nas mãos de alguém. Eles têm que me pegar no momento certo. Caso contrário, não há número de trapézio”, disse Blanchett à revista Vogue.
Entrega total ao papel

Durante o processo criativo, Rosefeldt e Blanchett desenvolveram uma sintonia única, em que um complementava o outro à medida que o projeto ganhava forma. O filme é composto por monólogos marcantes inspirados em manifestos artísticos e políticos — todos escolhidos a dedo por Blanchett.
Para dominar os sotaques de cada personagem, ela gravava os textos de forma neutra, propositalmente afastada de sua voz natural. Depois, ouvia cada gravação até encontrar o tom certo. A dedicação foi tanta que a atriz objetivou“remover a si mesma” da atuação, adotando a técnica teatral chamada Neutral Mask Acting Exercise. O método convida o ator a atingir um “estado neutro”, esvaziando-se de si e dando lugar ao personagem com mais força e autenticidade.
Ao final do projeto, Julian e Cate sentiram que haviam cumprido sua missão. Embora Manifesto não tenha sido um sucesso comercial na época de seu lançamento, a produção serve como um estudo fascinante sobre a arte de atuar, especialmente para quem deseja se aprofundar na profissão.
Sobre Manifesto
“Manifesto” apresenta Cate Blanchett interpretando 13 personagens distintos, incluindo um homem em situação de rua, uma âncora de telejornal, uma operadora de fábrica e uma diretora executiva. Cada um deles recita trechos de manifestos históricos — como o futurismo, o criacionismo e o dadaísmo — entre outros movimentos artísticos e políticos.
Para quem quiser conferir, “Manifesto” encontra-se disponível no Prime Video.
Continue acompanhando o que há de mais relevante no mundo das artes aqui no Blog Hipérion!






















